12 Anos de Escravidão (2013)

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Curiosamente, o filme mais acessível da carreira do diretor Steve McQueen – e recentemente vencedor do Oscar de Melhor Filme – é provavelmente um dos mais difíceis de ser assistido.

É certo afirmar que, nas mãos de outro diretor, a história do homem livre que é sequestrado e passa 12 anos como escravo poderia descambar sem problemas para o melodrama exagerado (certo, Spielberg?).

McQueen, entretanto, retrata a trajetória real de Solomon Northup com um tom realista e sem concessões.

Suas longas tomadas – enquanto possam incomodar bastante o espectador – apenas reforçam o caráter absurdo do que é a escravidão e da mentalidade dos homens que a ratificam. Chiwetel Ejiofor está absolutamente brilhante, mas é a jovem Lupita Nyong’o que rouba o filme com a tragédia irreversível de sua personagem Patsey. Michael Fassbender, como o perturbado dono da fazenda na qual Northup passa boa parte deste período, também impressiona com uma atuação antológica.

Ainda que uma obra essencial e importante, o filme tem suas falhas, como não conseguir estabelecer uma passagem de tempo coerente. A trilha de Hans Zimmer, ainda que dissonante e poderosa, lembra em vários momentos a de Inception, o que me tirou do filme por diversas vezes ao longo da projeção.

Mas é imperdível, especialmente em tempos que colocar negros amarrados em postes com travas de bicicleta virou coisa aceitável e justificável – desde que realizada pelas pessoas de bem.

★★★★½

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