Vôo 7500 (2014)

O diretor Takashi Shimizu entende do riscado quando o assunto é terror, tendo dirigido praticamente todas as versões de O Grito, tanto as japonesas como as americanas. Assim, é uma pena que sua nova obra falhe justamente no que deveria ser seu ponto forte: causar medo no espectador.

Neste Vôo 7500, o diretor investe em um terror claustrofóbico encenado no interior de um avião que ruma de Los Angeles para Tóquio, o que já deveria garantir, por si só, uma dose caprichada de tensão e nervosismo, já que nao há para onde correr na hora em que o bicho pega. 

Trabalhando com a estrutura clássica do filme de desastre – no melhor e no pior estilo Aeroporto –  Shimizu e o roteirista Craig Rosenberg não fogem – e talvez nem façam questão – aos personagens e às situações clichês, como a aeromoça que tem um caso com o piloto, a recém-casada deslumbrada, o casal em crise, a punk/gótica pela qual ninguém dá nada mas que capta todo os segredos, o picareta ganancioso e assim por diante.

Ainda assim, o filme estabelece seu conflito de forma eficiente, deixando o público em dúvida se está diante de um terror sobrenatural, espiritual ou biológico. Há, nesse momento inicial, seqüências efetivamente funcionais, como a da morte do passageiro misterioso e da percepção da despressurização do avião, por meio das garrafas de água e da cor das unhas.

Pena que esta boa premissa logo caia no lugar comum das situações inverossímeis, comportamento idiotas, frases do tipo “a morte faz parte da vida” e uma falta imperdoável de protagonistas com os quais nos preocupar. Isso sem contar os diversos mistérios que são jogados ao longo do filme que ficam praticamente sem resposta, principalmente os que envolvem o passageiro que morre.

Para piorar Shimizu parece ter realizado um filme para menores, já que as boas oportunidades que teria para geral algum sentimento diferente da apatia no espectador são desperdiçadas, com sequências que sequer mostram o que realmente está acontecendo, confiando apenas na (triste) reação dos personagens.

A conclusão do filme traz um plot twist até interessante – ainda que o espectador mais atento o descubra com uns 20 minutos de antecedência – mas no fundo fica a impressão de que no desejo de criar um clímax chocante, alguém esqueceu a lógica e a coerência do lado de fora.

Em algum lugar entre Los Angeles e Tóquio, provavelmente.

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