Ted 2 (2015)

O ursinho de pelúcia mais desbocado, maconheiro, politicamente incorreto e amigo para todas as horas está de volta. Mas antes de começarmos a falar sobre o filme, vale um esclarecimento: se você gostou do primeiro Ted, grandes são as chances de você gostar bastante deste aqui. Agora, se você não conseguiu encarar o humor bem peculiar de Seth MacFarlane da primeira vez, as suas chances de achar esta nova empreitada meramente interessante são praticamente zero.

OK, dito isso, vamos continuar.

O fato é que Ted 2 é um filme tão divertido quanto o primeiro, ainda que se perca, evidentemente, boa parte da novidade que tanto chamou a atenção do público – isso sem contar que o diretor e roteirista MacFarlane não faz muita questão de inovar, reciclando boa parte das piadas sem o menor pudor.

Desta vez, Ted se encontra casado e deseja formar uma família. Como ele é, assim, digamos, um urso de pelúcia, ele vai atrás de doadores para realizar uma inseminação artificial – o que, aliás, gera um dos momentos mais insanamente bizarros do ano, numa gag impagável que envolve uma invasão à casa de Tom Brady na tentativa de obter o seu… ahn… ok, você entendeu.

Mas o problema não para aí. Após descobrir que não é considerado uma pessoa de verdade pelo estado, Ted resolve entrar na justiça para garantir a ele e a sua famíia os mesmos direitos de qualquer ser humano, no que é ajudado pela advogada Samantha Jackson, interpretada por Amanda Seyfried e por seu amigo inseparável John, interpretado com a mesma cara de pau de sempre por Mark Wahlberg.

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Novamente no papel de Ted, MacFarlane – recuperando-se do fiasco Um Milhão de Manerias de Pegar na Pistola – adiciona uma boa dose de doçura a um ursinho notoriamente sacana e sem noção – e  o fato é que isso funciona com eficiência, e você eventualmente se vê torcendo mesmo para que tudo dê certo para aquele bicho de pelúcia.

MacFarlane faz de Ted 2 um filme que remete à conhecida analogia da metralhadora giratória, disparando piadas de todos os tipos a cada 2 minutos. Nem todas são bem sucedidas. É correto afirmar que provavelmente apenas 30% das piadas funcionem – mas quando funcionam, são um espetáculo a parte, principalmente por conta do conhecido ecletismo do Macfarlane: o filme tem momentos musicais – a abertura é deliciosa -, piadas escatológicas, diálogos espirituosos, muito nonsense, piadas sexistas e racistas, humor físico, dezenas de referências ao universo pop (a sequência final se passa na Comic-Con de Nova Iorque) e, claro, uma sempre bem vinda dose de autodepreciação – da qual nem os conhecidos olhos grandes de Amanda Seyfried escapam.

O filme ainda encontra espaço para fazer divertidas referências a obras como Clube dos Cinco e Jurassic Park, fora as participações especiais de figuras como Jay Leno, Liam Neeson (no momento mais incompreensível do ano), Sam Jones (o eterno Flash Gordon), Patrick Warburton (que relembra seus tempos em que dublava o desenho animado The Tick) e até Morgan Freeman (“gostaria de deitar em um colchão feito com a sua voz”).

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Claro que, como é de se esperar de MacFarlane, nem tudo funciona às mil maravilhas. Há nítidos momentos em que o filme toma desvios que nada acrescentam à trama – como o momento road movie – apenas para obter mais uma gag. Da mesma forma, a subplot na qual o personagem de Giovanni Ribisi tenta – novamente – raptar Ted não apenas é mal explorada como se resolve de forma bem rasteira.

E há ainda um quase tique de MacFarlane em colocar stablishing shots (externas mostrando fachadas de edifícios que são cortadas para cenas internas) em todas as sequências passadas no apartamento de Ted. Difícil dizer se é proposital, uma brincadeira com a linguagem televisiva ou se é só um péssimo e irritante hábito mesmo.

De qualquer maneira, Ted 2 é uma diversão efetivamente transgressora, um filme que não tem pudores para falar sobre drogas, sexo, religião, política, racismo, preconceito, intolerância, detonar o politicamante correto e tudo mais que hoje se considera tabu. Só por isso, ele já valeria a pena.

Mas, sejamos sinceros: isso tudo não importa. A questão é que você não pode perder um filme que mostra uma luta entre Gorn (ele mesmo, o de Star Trek) e o Monstro da Lagoa Negra. Ou entre o Robô de Perdidos no Espaço e um Dalek.

Simplesmente não pode.

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