Canibais (2015)

Homenagem explícita aos filmes de canibais que explodiram no cinema italiano nos anos 70 e 80 – em especial o maldito Canibal Holocausto – o novo filme de Eli Roth (de O Albergue e o recente Bata Antes de Entrar) entrega exatamente o que se espera deste tipo de filme: muitas visceras, cenas de desmembramentos e abusos dos mais diversos tipos, com um gore caprichado cortesia do mestre Greg Nicotero e mais duas equipes de efeitos visuais.

Canibais conta a história de um grupo de estudantes americanos (todos brancos) que vai para a floresta amazônica participar de de um protesto contra a devastação da mata e o consequente extermínio das tribos que ali vivem. Na volta, sofrem um acidente de avião e são capturados por essa mesma tribo de índios, que imediatamente os coloca no cardápio da semana.

Eli Roth capricha na caracterização dos aborígenes, colocando diversos latinos e algumas crianças loirinhas pintadas de vermelho como pequenos representantes do mal, sem contar as figuras sinistras dos ‘feiticeiros’. Não é um black face, mas está bem próximo. É um red face. O clima de pesadelo instaurado nas primeiras sequências de contato com os índios é eficiente e perturbador. Neste quesito, ponto para Roth. Por enquanto.

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Como protagonista e final girl, Lorenza Izzo (esposa do diretor e uma das malucas de Bata Antes de Entrar) encarna com eficiência a jovem filha de um advogado das Nações Unidas jogada de uma hora para outra em uma situação de desespero. O mesmo não pode ser dito do restante do elenco, que varia entre o teatro infantil e a canastrice pura – incluindo aí o líder da expedição (Ariel Levy), que transita entre o humanitário bem intencionado e o canalha individualista sem muita sutileza. Junte-se a isso as tentativas de fuga mais imbecis do planeta e em pouco tempo você se vê torcendo para que os canibais devorem logo todo mundo.

O filme oferece algumas sequências impactantes – a primeira morte é memorável – mas é quase impossível não sentir uma atmosfera de deja vu, já que nada do que temos aqui difere muito do que o público está acostumado a ver toda semana em qualquer episódio da série The Walking Dead ou Hannibal, por exemplo. No mais, o que temos é um filme que parece se satisfazer com sua própria premissa e seu status de homenagem, pouco se preocupando em fazer a trama avançar ou oferecer algo de diferente.

Assim como em Bata Antes de Entrar, o filme sofre ainda com a mão pesadíssima de Eli Roth, que cria um roteiro, junto com Guillermo Amoedo, que investe em diversos elementos irônicos e de humor negro – a própria ideia do grupo ser devorado justamente pela tribo que foram salvar, por exemplo -, mas que jamais conseguem chegar à superfície por conta da falta de traquejo do diretor em lidar com estas situações – como o supostamente engraçado momento em que os índios comem um viajante repleto de maconha e caem no sono.

Sexista e machista como sempre – ainda que em menor escala do que em O AlbergueCanibais é um filme que pode até surpreender aqueles que não conhecem o gênero e extasiar (ou horrorizar) aqueles mais impressionáveis. Mas o fato é que – ainda que levemente superior ao fraco Bata Antes de EntrarCanibais perde a oportunidade de revitalizar um gênero dos mais interessantes, seja por conta da falta de criatividade ou simplesmente pela direção de Roth, perfeito nos momentos de violência, mas falho em todo o restante.

Mas, verdade seja, dita, pelo menos não é found footage. Mais um ponto para Roth.

E chega.

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