Os Melhores Filmes de 2015

Como já se tornou tradição, o blog Mister Glass apresenta agora a sua lista dos Melhores Filmes de 2015.

Em um ano particularmente excepcional para o cinema de ação, tivemos o retorno de Star Wars e Mad Max, duas franquias de pesos diferentes, mas que entregaram releituras e/ou continuações que precocemente se tornaram marcos na história do cinema, seja com a energia bruta e a técnica assombrosa de George Miller em Estrada da Fúria, como com a nostalgia, a magia e o encantamento proposto por J.J. Abrams em O Despertar da Força. Isso, sem contarmos com os mais que eficientes Kingsman – Serviço Secreto, Missão Impossível: Nação Secreta, O Agente da Uncle, A Espiã que Sabia Demais, Velozes e Furiosos 7, Perdido em Marte, Cinderela e até mesmo Jurassic World.

O cinema nacional trouxe mais uma vez filmes admiráveis, desde o documentário Cássia Eller, passando por obras tão fascinantes quanto diversas como A História da Eternidade, o tardio e surpreendente Chatô – O Rei do Brasil, a ficção Branco Sai, Preto Fica, o atual e relevante Casa Grande, o surpreendente Entre Abelhas até o consagrado e sensível Que Horas Ela Volta?, entre tantos e tantos outros.

Da leva americana e oscarizada de 2014, passaram pelo teste da persistência o tour de fource de Iñárritu em Birdman e a fúria exasperante de Whiplash, assim como obras finalmente lançadas no Brasil como Expresso do Amanhã e Frank.

Provando que não quer ficar para trás na indústria cinematográfica, a Netflix inovou ao estrear o seu fantástico Beasts of No Nation diretamente nos serviços de streaming, estabelecendo uma nova e irremediável relação com o público.

Nas animações, a Pixar retornou à boa forma com DivertidaMente, enquanto os Estúdios Ghibli presentearam os brasileiros com os belíssimos O Conto da Princesa Kaguya e As Memórias de Marnie, este sendo considerado como o último do estúdio.

A lista abaixo elenca – além dos filmes lançados comercialmente nos cinemas – obras lançadas diretamente em home video, serviços de streaming como Netflix ou disponíveis para locação nos canais de TV por assinatura.

Além dos 10 primeiros lugares – em ordem aleatória -, há uma menção honrosa para 20 outras obras que se destacaram ao longo do ano. Confira!

OS 10 MELHORES 

O ANO MAIS VIOLENTO (2014)
O Ano Mais Violento pode até se passar em 1981, considerado um dos anos mais conturbados da história de Nova York, mas respira com elegância toda a estética e a temática do cinema americano dos anos 70. É fácil perceber, no filme, elementos do cinema de Coppola, Lumet e Friedkin, seja pelo contexto conspiratório, pelos diálogos diretos e precisos como pelas (poucas, mas eficazes) sequências de ação, respectivamente. Leia a crítica.

MAD MAX : ESTRADA DA FÚRIA (2015)
Estrada da Fúria é, em sua essência, um gigantesco clímax de 120 minutos – com poucos intervalos de descanso – que revigora a franquia de forma absolutamente eficiente e se estabelece como uma experiência memorável, um filme que pega o espectador pela garganta e o deixa completamente extasiado e esgotado ao fim da sessão. Imperdível e já clássico. Leia a crítica.

DIVERTIDAMENTE (2015)
A Pixar retorna ao patamar de genialidade com uma de suas obras mais ambiciosas, complexas e fascinantes. Perfeito em todos os seus aspectos, DivertidaMente entretém, fascina, assusta e emociona na mesma medida, uma obra de um estúdio que não tem medo de arriscar e que se posiciona como uma das melhores do ano, conversando com propriedade tanto com as crianças quanto com os adultos. Leia a crítica.

STAR WARS | O DESPERTAR DA FORÇA (2015)
O Despertar da Força é uma obra conduzida por um diretor em pleno domínio de seu talento, um filme feito por fãs e para fãs, mas que se sustenta dramaticamente como um blockbuster inteligente e cheio de surpresas. São tantos os momentos de pura beleza, personagens carismáticos e um ritmo empolgante que é apenas natural que nos entreguemos (novamente) a essa aventura de muito tempo atrás numa galáxia muito distante. Leia a crítica.

O CONTO DA PRINCESA KAGUYA (2014)
Poesia em movimento. Estas palavras são a melhor tradução para a sensação experimentada após ver mais esta obra-prima dos Estúdios Ghibli. Dirigido por Isao Takahata, O Conto da Princesa Kaguya é um deleite para os olhos – e para a alma – com seus desenhos que lembram gravuras clássicas orientais e sua animação tão suave quanto econômica.

A HISTÓRIA DA ETERNIDADE (2015)
Com uma sensibilidade única, o diretor Camilo Cavalcante navega por suas histórias de dor, saudade e esperança com uma fluência e um ritmo próprios. A fotografia acachapante de Beto Martins e a trilha sonora encantadora – com elementos do maestro Zbigniew Preisner e de Dominguinhos – completam o clima de quase imersão neste relato tão regional e, ao mesmo tempo, tão universal.

FRANK (2014)
É inegável que Frank, do diretor Lenny Abrahamson, possui ecos do Amadeus de Milos Forman. Nada mal para um filme independente sobre um artista que usa uma cabeça gigante de papel machê – e mais admirável ainda por conseguir se posicionar como uma obra que expressa as emoções mais profundas a partir de um personagem cujo rosto é imutável e cartunesco. Leia a crítica.

BEASTS OF NO NATION (2015)
Primeiro longa metragem produzido pelo Netflix, Beasts of No Nation estabelece com clareza o conceito de perda da inocência tão comum em filmes de guerra. Que vejamos isso em crianças de 10 ou 12 anos tornadas assassinos frios e cruéis é algo absolutamente perturbador. Repleto de sequências impactantes, é um filme atual, relevante e uma lição dolorosa de vida. Leia a crítica.

EXPRESSO DO AMANHÃ (2014)
Produzido por Chan-wook Park (o coreano doido por trás de Oldboy e Segredos de Sangue) e dirigido por Joon-ho Bong (o outro coreano doido por trás de O Hospedeiro, Mother e Memórias de um Assassino), Expresso do Amanhã é uma curiosa, bizarra e bem-sucedida ficção-científica, uma mistura de blockbuster americano com filme de arte – por mais distantes e heterogêneos estes estilos possam parecer. Leia a crítica.

WHIPLASH – EM BUSCA DA PERFEIÇÃO (2014)
Tenso ao nível da taquicardia, Whiplash se destaca por uma montagem primorosa, que aproveita o ritmo das composições de jazz que recheiam o filme. E quando você pensa que a obra vai se entregar à redenção pura e simples, o diretor Damien Chazelle entrega um clímax dos mais arrebatadores possíveis, fechando com chave de ouro essa obra fabulosa. Leia a crítica.

OS 5 QUASE FINALISTAS

14 ESTAÇÕES DE MARIA (2014)
O fundamentalismo religioso retratado em 14 painéis quase estáticos e bastante dolorosos, estabelecendo um registro seco e, por diversas vezes, cruel de uma realidade não muito distante de nossos olhos.

CÁSSIA ELLER (2015)
Um belo documentário e uma homenagem das mais tocantes para uma personagem cujo coração, infelizmente, não foi tão forte quanto o seu imenso talento.

QUE HORAS ELA VOLTA (2015)
Uma obra fundamental para o cinema nacional e para a sociedade brasileira. Um retrato de um país tradicionalista e calcado em relações ultrapassadas que ainda insiste em sobreviver. De quebra, ainda estabeleceu Val e Jéssica como figuras emblemáticas de nossa cinematografia.

DEUS BRANCO (2014)
Uma pequena fábula sobre a perda da inocência e a vingança, uma obra capaz de referenciar O Flautista de Hamelin e os recentes Planeta dos Macacos – e com toques de Os Pássaros e Tom e Jerry. Leia a crítica.

FOXCATCHER – UMA HISTÓRIA QUE CHOCOU O MUNDO (2014)
Um olhar visceral e crítico sobre o desmoronamento físico e psicológico de seus personagens, presos a uma relação viciosa repleta de ambiguidade e dependência. Leia a crítica.

AS 15 MENÇÕES HONROSAS

BIRDMAN  OU (A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA) (2014)
Uma obra que discute a influência dos blockbusters, a prisão aos estereótipos, o papel da crítica e principalmente a busca incessante pela relevância em um mundo pautado pelo imediatismo e pelo excesso.

COLINA ESCARLATE (2015)
A fascinante assinatura visual de Guillermo Del Toro pode ser vista em cada fotograma deste filme que mescla elementos da literatura romântica e de terror do século 19 – uma mistura bem harmonizada de Jane Austen, Mary Shelley e Edgar Allan Poe – com o toque marcante da Hammer dos anos 60.

KINGSMAN – SERVIÇO SECRETO (2015)
O diretor Mathew Vaughn extrapola aqui diversos limites não apenas do bom gosto como do bom senso, em uma aventura subversiva, surreal, violenta, sexista e – ainda assim – absolutamente divertida.

MEMORIAS DE MARNIE (2015)
Marnie tem um traço mais tradicional – longe da ousadia estética de Kaguya, por exemplo – mas compensa isso com uma animação fluída e natural, sem contar com uma paleta de cores absurdamente linda, capaz de transformar cada quadro em um verdadeira pintura. Leia a crítica.

MISSAO: IMPOSSIVEL – NAÇÃO SECRETA (2015)
Nação Secreta mostra que a franquia ainda tem muita bala na agulha – e de quebra ainda traz a terceira (!) melhor personagem feminina do ano, a agente tripla Ilsa Faust, numa interpretação marcante da agora ex-desconhecida Rebecca Ferguson. Leia a crítica.

MUSARAÑAS (2014)
Uma pequena pérola do gênero terror que encontra tempo para homenagear Louca Obsessão, de Rob Reiner e ainda assim soar absolutamente criativo, fascinante, assustador e complexo. Leia a crítica.

O PRESENTE (2015)
A trama é básica, mas o roteiro do também diretor Joe Edgerton tanto abraça como foge com inteligência dos clichês, criando um filme de aparências, no qual nada é exatamente o que se imagina, subvertendo inclusive o papel dos protagonistas no desenrolar da história.

EX MACHINA (2015)
Elevando-se acima das obras de ficção-científica atuais por se deixar levar muito mais pelos personagens e suas interações do que pelos efeitos, Ex Machina é, sim, mais uma versão de Frankenstein, mas realizada da forma mais coerente e competente possível.Leia a crítica.

PECADOS ANTIGOS, LONGAS SOMBRAS (2014)
Com um trabalho excepcional de montagem e direção de atores, o filme não se preocupa em explicar quais os caminhos traçados pelos detetives em sua investigação, o que causa uma bem-vinda insegurança ao espectador, incapaz de prever a direção da trama. Leia a crítica.

GAROTA SOMBRIA CAMINHA PELA NOITE (2014)
Um filme absolutamente interessante. Até porque, provavelmente, você nunca viu um filme iraniano de vampiros. Um filme cuja estética, ambientação e personagens lembra e muito o trabalho de Jim Jarmush nos anos 80.

TIMBUKTU (2014) 
Repleto de simbolismos visuais e narrativos, Timbuktu deixa no ar a mesma questão levantada pelo líder religioso local: onde está Deus nisso tudo, quando homens ordinários interpretam livros sagrados de acordo com o seu interesse próprio e desrespeitam a liberdade dos indivíduos?

BOA NOITE MAMÃE (2015)
Ao não se submeter aos elementos narrativos deste ou daquele nicho, o filme se estabelece como uma obra incômoda, inesperada, cujos desdobramentos podem até soar como um ponto fora da curva, mas que por isso mesmo são tão interessantes

VICIO INERENTE (2015)
Se Vício Inerente não tem o peso de um Sangue Negro nem é tão icônico como Boogie Nights ou Magnólia, está longe, mas muito longe mesmo de ser ignorado. Não é sempre que um grande diretor se joga de cabeça em uma viagem como essas.

CASA GRANDE (2015) 
Casa Grande se estabelece como uma obra que escancara um país de aparências, de preconceitos velados, de atitudes reacionárias e de relações equivocadas que valorizam mais o ter que o ser.

ACIMA DAS NUVENS (2014)
O artista frente a passagem inexorável do tempo, encarando a própria velhice, lutando contra a irrelevância e enfrentando os fantasmas de um passado de esperança e inocência. O filme estabelece uma conversa mais do que amigável com o Birdman de Iñárritu. Leia a crítica.

O que achou da lista? Sentiu falta de algum filme? Acha que algum não merecia estar aqui? Deixe seus comentários logo aqui embaixo.

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