O melhor de 2017 | Terror e Suspense

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Começando nossa retrospectiva de 2017, o blog Mister Glass traz a sua lista dos 10 melhores representantes dos gêneros terror e suspense do ano. Entre os destaques óbvios de Corra! e IT – A Coisa, tivemos algumas boas surpresas bem interessantes nas mais diversas temáticas. Acompanhe aqui nossa contagem regressiva para os melhores do ano.

A lista está em ordem de classificação, do muito bom para o melhor ainda!

10 – THE MONSTER PROJECT

A princípio, The Monster Project parece ser mais um daqueles found footage fuleiros em que personagens idiotas tomam decisões idiotas e são mortos da maneira mais idiota possível.
A trama básica colabora pra isso: grupo de amigos resolve entrevistar pessoas que se dizem monstros verdadeiros. Você já imagina o que vai acontecer, certo?
Mas aí vem a parte boa. Quando os personagens passam a ser efetivamente perseguidos,  pelos monstros,  ele se torna um dos melhores trens-fantasmas já entregues nos últimos anos, com mais de 30 minutos seguidos de jovens sendo perseguidos numa casa pela maior variedade possível de monstros!!!

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9 – KILLING GROUND

Este elogiado terror australiano bebe direto da fonte do terror dos anos 70, com elementos que remetem à Quadrilha de Sádicos e Massacre da Serra Elétrica, entre outros, com a crueldade agoniante de um Wolf Creek.
O filme conta duas histórias em linhas do tempo distintas mas complementares. Na primeira, acompanhamos um casal que vai acampar a beira de um lago e descobre uma barraca que aparentemente foi abandonada. Em outra, vemos o que aconteceu com os ocupantes dessa barraca – em ambas as histórias, as figuras apavorantes de dois irmãos desequilibrados.
Não é um filme de terror inofensivo. É preciso estômago para chegar até o seu fim. Mas quem se dispuser a encarar verá um dos grandes filmes do gênero do ano.

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8 – BETTER WATCH OUT

A maneira mais sensata [ainda que bem superficial] de descrever este filme é como uma mistura insana de Esqueceram de Mim com Violência Gratuita.
Better Watch Out começa de forma até leve e ingênua, com um garoto de 12 anos e sua babá sendo perseguidos pela casa por um desconhecido ameaçador. A partir daí, porém, o filme engata numa reviravolta nem tão inesperada mas com consequências bem surpreendentes, enviesando por uma linha hardcore que não era esperada. Em certos momentos, a obra se aproxima muito da estética do torture porn, com a ambientação natalina deixando tudo ainda mais bizarro.

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7 – mãe!

Como experiência sensorial, mãe! é um filme admirável e corajoso em sua proposta. Tenso, nervoso, perturbador ao nível gráfico e inquietante como poucos, a nova obra de Darren Aronofsky é um filme cujas imagens e cujos sentimentos que estas evocam irão demorar a sair de seu pensamento.
Ao permitir diversas análises em sua narrativa, o filme cresce justamente por ser uma obra aberta a interpretações – algo muito bom em tempos que tudo precisa ser explicado para o espectador. Por outro lado, Aronosfsky joga toda e qualquer sutileza de lado em seu terceiro ato, trabalhando muito mais com o choque do que com a capacidade de entendimento do espectador.
De qualquer maneira, mãe! ainda se mantém como uma obra poderosa de um cineasta que não tem medo de ir fundo em suas ideias e seus sentimentos, criando um universo de pesadelo, loucura e angústia como poucas vezes visto e deixando o espectador embasbacado com a força de suas imagens.

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6 – AO CAIR DA NOITE

Para entender o cinema de Trey Schults, vale a pena dar uma olhada em Krisha, em cartaz na Netflix. Ali ele desenha a estrutura que é o cerne deste Ao Cair da Noite: relações familiares destroçadas, repletas de medo, desconfiança e tensão.
Longe de ser o filme de terror que se anuncia, Ao Cair da Noite não se calca em sustos, mas em uma tensão crescente que vai aos poucos se tornando insustentável e insuportável, com uma das conclusões mais secas e cruéis – ainda que coerentes – dos últimos anos.
No elenco, absolutamente admirável, temos os ótimos Joel Edgerton e a surpresa Christopher Abbot, mas o destaque vai mesmo para o jovem Kelvin Harrison, como o adolescente incapaz de lidar com seus sentimentos mistos de curiosidade, desejo e medo.

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5 – RAW | GRAVE

Mais um belo exemplar do cinema francês de terror, Raw trata do tema do canibalismo para discutir questões mais pé no chão como a sexualidade e a aceitação no ambiente estudantil.
Ao contrário dos renomados Martyrs ou A Invasora, que estabelecem uma atmosfera estilizada e de tons fantasiosos, aqui a diretora Julia Ducournau vai numa linha mais naturalista, apresentando aos espectadores os horrores da descoberta à mesma medida que seus personagens, obrigados a encarar sua nova condição enquanto estabelecem isso como uma fato irreversível.
O toque de realidade imposto à narrativa faz com que Raw se torne ainda mais perturbador, culminando em um plano final genial que surpreende por sua coerência e de um estoicismo dos mais doloridos.

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4 – VIDA

Pode chamar de Alien – o Sétimo Passageiro também.
O diretor Daniel Espinoza não faz questão de disfarçar sua inspiração para este absurdamente competente filme de terror ambientado no espaço.
Ao contrário das novas versões do monstrão que sangra ácido, que tentam complicar o que não deveria, aqui temos um horror direto, bruto, tenso, sem firulas ou condescendências.
Com um elenco afinado, Vida entrega aquilo que todo fã do gênero deseja, recheado por efeitos visuais primorosos e uma direção de arte claustrofóbica de primeira.

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3 – IT – A COISA

Dirigido por Andy Muschietti, IT bebe direto da fonte de filmes como ET, Goonies e até mesmo de Conta Comigo, também baseado numa obra de King. Isso faz com que o filme equilibre de forma eficiente a nostalgia do rito de passagem com o medo presente – e constante – nesta transição.
Muschietti faz de IT um filme de certo modo tradicional – estão ali todos os clichês narrativos e visuais esperados, desde a música que sobe a medida que a tensão aumenta, a casa que pinga sangue até a famigerada caixinha de música e as vozes de crianças na trilha sonora.
Subtraindo com esperteza alguns dos momentos mais viajados da obra original, Muschietti se concentra naquilo que mais importa: seus personagens e seus medos – os ecos de preconceito, violência, abuso, bullying e insegurança são, por si só, muito mais assustadores que o exuberante PennyWise.

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2 – FRAGMENTADO

Neste Fragmentado, Shyamalan traz a história de três garotas que são raptadas por Kevin, um homem que apresenta 23 personalidades diferentes. James McAvoy faz um trabalho excepcional ao estabelecer comportamentos e atitudes completamente diversas para cada uma das personalidades presentes [que na prática não passam de 5]. Nunca fica claro o que desencadeou a criação destas personalidades, o que traz mais um elemento de mistério interessante à produção.
Shyamalan atravessa com inteligência a fronteira entre o suspense e o sobrenatural, entregando uma obra com um terceiro ato taquicardíaco que compensa um miolo mazomenos [seja pela personagem bizarra da psiquiatra como pelo excesso de explicações]. De quebra, há ainda uma surpresa final que faz um link emocionante com outra obra do cineasta, criando que está sendo chamado de Shyamalanverso.

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1 – CORRA!

Ao contrário do que possa parecer, Corra! é uma comédia. Que ela seja levada numa atmosfera de suspense e horror sem que ninguém perceba isso é apenas um dos méritos do diretor Jordan Peele [não por acaso um comediante de mão cheia] em sua estreia na telona.
Não faltam os seus clichês, e Peele – que também escreveu o roteiro – não se furta a elencar aqui e ali elementos familiares que todos já vimos em vários outros filmes. O objeto do diretor, entretanto, não está no que está sendo contado, mas forma como ele o faz. Ao contrário de um Shyamalan, que muitas vezes define a apreciação [e a própria relevância] de sua obra à existência do plot twist, Peele estabelece as reviravoltas [e acredite, são muitas] como parte orgânica da obra, consequências das ações do roteiro e não presas a ele.
Há, claro, o viés do racismo e da intolerância. Mas, novamente, Peele se mostra um diretor consciente e seguro de seu trabalho ao não tratar isso de forma panfletária, até porque a trama por si se estabelece a partir desta questão – do estranhamento do jovem Chris [ Daniel Kaluuya, excelente] frente a uma sociedade majoritariamente branca e conservadora. Não há porque forçar nada além disso.
Com uma concisão invejável e um olhar atento aos mínimos detalhes, Peele cria um obra cujas camadas vão muito além do entretenimento de fim de semana, unindo tensão, horror, medo, um humor que vai do refinado ao escancarado sem pudores aliados a uma crítica social afiada sobre a natureza, as imperfeições e as ambições do ser humano em uma sociedade que ainda insiste em nos dividir em castas.
Imperdível é pouco.

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E aí, o que achou da lista. Está faltando algum filme? Algum deles não deveria estar aqui? Deixe seu comentário e curta nossa página no Facebook!

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