Quarteto Fantástico (2015)

O novo filme do Quarteto Fantástico é uma aventura que funciona de forma eficiente até exatamente 55 minutos de projeção, quando, então, a mão do estúdio entra com força na obra e transforma a última meia hora em um emaranhado de segmentos desconexos, apressados e rasteiros, esfacelando qualquer possibilidade de redenção. Não é o desastre que os mensageiros do Apocalipse trombeteiam, mas sim um produto obviamente mutilado incapaz de elevar-se acima do medíocre.
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Bedevilled / Kim Bok-nam salinsageonui jeonmal (2010)

Talvez nenhuma cinematografia trabalhe de forma tão contundente os temas da indiferença, da culpa e da vingança quanto a sul-coreana. É um cinema que parece nos dizer: não há como se esconder dos fantasmas do passado. Uma hora ou outra eles acabam sempre nos alcançando. Assim foi em Oldboy. Assim é em Bedevilled.

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Kumiko, A Caçadora de Tesouros (2014)

Kumiko leva uma vida solitária. Aos 29 anos, é constantemente cobrada pela mãe e pelo chefe para se casar e constituir uma família, já que todas as suas amigas nesta idade já o fizeram. Kumiko também sofre com uma timidez patológica, e sua incapacidade de se relacionar com as pessoas faz com que ela literalmente fuja de qualquer interação social que soe vagamente forçada. Seu único e verdadeiro amigo é um pequeno coelho chamado Bunzo. Continuar lendo “Kumiko, A Caçadora de Tesouros (2014)”

Divertida Mente (2015)

A premissa do novo e fascinante filme da Pixar é uma ideia recursiva em diversos sketches de humor, filmes e desenhos: a de que nossa mente é controlada por pequenas criaturas que analisam cada momento pelos quais passamos e decidem o que devemos ou não fazer. Divertida Mente – um retorno do estúdio ao seu patamar de genialidade após uma sequência de filmes apenas eficientes – vai além dessa proposta, revelando um universo complexo e organizado como uma indústria, comandado por cinco sentimentos específicos. Continuar lendo “Divertida Mente (2015)”

Poltergeist – O Fenômeno (2015)

Há algumas regras que deveriam ser seguidas por qualquer produtor ou diretor que eventualmente resolvesse fazer um remake ou um reboot de algum filme ou série de sucesso do passado. Infelizmente, o novo Poltergeist parece não ter seguido nenhuma delas, se estabelecendo como um filme absolutamente sem inspiração, uma experiência tão insípida que sequer pode ser considerada negativa, já que é completamente nula em emoções.

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Trocando os Pés (2015)

É triste perceber quando boas oportunidades são desperdiçadas. É o caso deste Trocando os Pés, o novo filme de Adam Sandler, dirigido por Thomas McCarthy. Não que alguém estivesse esperando uma obra-prima, mas a boa premissa estabelecida nos primeiros minutos chega a apontar para um resultado quase satisfatório. Quando vemos tudo isso sendo jogado pela janela, com um desenvolvimento não apenas preguiçoso como redundante, a sensação é de pena. Para variar, ainda não foi desta vez, Sandler. Continuar lendo “Trocando os Pés (2015)”

A Incrível História de Adaline (2015)

O título nacional tenta pegar uma carona naquele outro filme sobre o curioso caso do um velho que se torna jovem ao longo dos anos. Apesar de algumas semelhanças – que discutiremos daqui a pouco – aqui a história é um pouco diferente. Após um acidente em meados de 1920, a jovem Adaline Bowman (Blake Lively, até que se saindo bem) descobre que não envelhece mais, tornando-se virtualmente imortal.

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Acima das Nuvens (2014)

O artista frente a passagem inexorável do tempo, encarando a própria velhice, lutando contra a irrelevância e enfrentando os fantasmas de uma passado de esperança e inocência. Dentre as inúmeras referências que podemos encontrar em Acima das Nuvens, o novo filme de Olivier Assayas (da minissérie Carlos) estabelece uma conversa mais do que amigável com o Birdman de Alejandro Gonzáles Iñárritu, inclusive na crítica afiada ao culto das celebridades, à efemeridade dos relacionamentos pautados por paparazzi e na ridicularização dos blockbusters. Continuar lendo “Acima das Nuvens (2014)”

Ex_Machina (2015)

Assim como no recente e irregular Chappie, Ex_Machina, do diretor Alex Garland, tem como tema principal a Inteligência Artificial. Ao contrário do filme de Neil Bloomkamp, porém, que perdeu a oportunidade de discutir o tema para enveredar em um filme de ação costurado por um roteiro quase amador, Garland realiza uma ficção cientifica das mais incisivas, uma obra revigorante emoldurada por uma direção tão elegante quanto enigmática.

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Borgman (2013)

O humor presente em Borgman, produção holandesa de 2013, é perversamente cruel e surpreendente, assim como boa parte da trama sobre o andarilho que dá nome ao filme e que invade a vida de uma família de alta classe. A sequência inicial  – na qual um padre pega sua espingarda e sai atrás de um bando de andarilhos –  já adianta que estamos diante de uma produção que irá tomar caminhos não apenas inesperados, mas também implausíveis.

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Mad Max – Estrada da Fúria (2015)

Esteja preparado. O retorno do agora septuagenário George Miller a seu universo pós-apocalíptico consagrado nos anos 80 é nada menos que acachapante. Mad Max – Estrada da Fúria não apenas revigora a já trintona franquia como estabelece um padrão absolutamente insano de qualidade, ritmo e furor para os filmes de ação – e que dificilmente será batido nos próximos anos.

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Musarañas (2014)

Sexo. Religião. Culpa. Elementos intrincados e tão dramaticamente alinhados que sempre ofereceram ao cinema a possibilidade da criação de grandes obras, como Carrie, A Estranha e O Bebê de Rosemary, entre outros. Dirigido pelos estreantes em longas-metragens Juanfer Andrés e Steban Roel, e produzido pelo especialista – e notoriamente louco – Alex de La Iglesia, Musarañas é uma brilhante e honrosa adição a este gênero, uma obra que se comprova tão fascinante quanto complexa.

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Maggie: A Transformação (2015)

Maggie é um filme que se vende muito mais pelo fato de termos Arnold Schwarzenneger em um papel diverso ao que estamos acostumados do que por suas efetivas qualidades. Que assim seja. Se, por conta disso, mais pessoas se interessarem em ver esta variante do subgênero de filmes de zumbis, ainda melhor. Não que Maggie seja uma obra tão emblemática ou mesmo marcante, mas sua proposta levanta algumas questões pouco trabalhadas em similares – algo muito mais próximo a série Walking Dead do que a filmes como Madrugada dos Mortos ou Extermínio.

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Timbuktu (2014)

Candidato ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro deste ano, Timbuktu mostra, em tom quase documental, os acontecimentos em um pequeno vilarejo tomado por extremistas religiosos. Dispostos a estabelecer a sua versão do livro sagrado, os extremistas passam a decretar diversas normas entre a comunidade, desde a necessidade das mulheres se cobrirem e usarem luvas o tempo todo até a proibição da dança, do canto e mesmo do futebol.

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